Crônicas paulistanas - Existe amor em SP

24/02/2016

Por: Cefas Carvalho
Foto: Jeanne Araújo
Aliando a participação em um evento cultural,a convite do amigo José Soares a um curto período de férias, passei seis dias em São Paulo na semana passada. Dias de rever amigos, fazer outros tantos, frequentar equipamentos culturais e apreciar a maior cidade do país, metrópole polvilhada de diversidade e contradições ou como cantou Caetano "Panamérica de Áfricas utópicas, túmulo do samba, mais possível novo quilombo de Zumbi".
 
A grandeza e multiplicidade de realidades da Sampa me levou a olhares mais apurados sobre a cidade e, principalmente, aos seus moradores, que fazem da cidade a mais populosa do país e um das cinco maiores do mundo. Esse olhar, que também é de nostalgia posto que morei na Paulicéia durante um ano, em 1990, levaram, claro, ao desejo de tentar colocar tudo em palavras, mais exatamente neste espaço no portal PN.
 
Uma observação que não me passou batida foi como a cidade parece menos fria, pelo menos no que tange às relações interpessoais entre seus habitantes. Percebi muitos casais enamorados em via pública, como não vira quando lá morei e nas visitas subsequentes. Casais abraçados no metrô, trocando carinhos em bancos de praça, ou mesmo nitidamente discutindo a relação - a lendária DR - em bares discretos. Casais héteros e homossexuais. Casais inter raciais. De todas as formas, tamanhos e idades. Terá mudado o paulistano ou eu é que percebi isso apenas agora?
 
Como símbolo desta percepção, um casal específico: estávamos eu e Jeanne Araújo saindo da galeria principal do MASP - Museu de Arte de São Paulo e paramos junto aos bancos laterais, perto do café, para olhar á vista da avenida Paulista pela janela de vidro. Percebemos um casal jovem, entre os 20 e 25, conversando ternamente. Evitamos nos aproximar muito, claro, para não atrapalhar a vibe dos dois. Observamos a movimentação na avenida, os veículos, as pessoas, mas, volta e meia voltávamos a atenção para o casal. Uma hora ele mostrava algo a ela em uma agenda; outra hora ela descansava a cabeça no ombro dele, indiferentes ao movimento na avenida e ao acervo artístico há poucos metros, indiferentes também à presença minha e de Jeanne ali perto, fazendo vir á tona o clichê  - mas, bem real naquele momento - de que estavam em um mundo particular.
 
Posso dizer que eu e Jeanne saímos mais felizes do Masp após tantas pinturas e esculturas de imensurável beleza e também por termos visto o casal. Jeanne, que queria fotografar a Paulista pela janela, não resistiu e fez um flagrante do casal, foto que ilustra este texto. Por fim, os deixamos em paz com o mundo particular de onde nem eu nem o caos urbano do outro lado do vidro conseguiriam tirá-los.
 
Criolo que me desculpe, mas, existe, sim, amor em SP.