John Kerry e chanceler cubano fazem encontro histórico no Panamá

10/04/2015


Foto: Reuters
O secretário de Estado americano, John Kerry, e o ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, protagonizaram nesta quinta-feira (data local), às vésperas do início da VII Cúpula das Américas, um encontro histórico, a reunião de mais alto nível em décadas entre representantes dos dois países.
 
O Departamento de Estado dos EUA publicou em sua conta no Twitter uma foto de Kerry e Rodríguez apertando as mãos, depois de a porta-voz do órgão, Marie Harf, ter anunciado a realização do encontro na mesma rede social. Outra fotografia, divulgada também pelo órgão, mostra Kerry e Rodríguez dialogando sentados e em companhia de funcionários de ambos os países.
 
Após o término do encontro, o Departamento de Estado afirmou em comunicado que a reunião "foi longa e muito construtiva". Além disso, disse que Kerry e Rodríguez fizeram progressos e vão continuar trabalhando para resolver "os assuntos pendentes".
 
Até o momento, o governo cubano não divulgou nenhuma informação sobre a reunião, assim como também não o fizeram os meios de comunicação da ilha.
 
A reunião bilateral entre Kerry e Rodríguez foi a de mais alto nível diplomático em décadas, a primeira entre os dois chanceleres desde o histórico anúncio do restabelecimento das relações entre os EUA e Cuba, realizado em dezembro do ano passado pelos presidentes Barack Obama e Raúl Castro.
 
Na época, Obama e Castro conversaram por telefone e ambos já estão no Panamá para participar da VII Cúpula das Américas, que será aberta na sexta-feira.
 
A Casa Branca disse que não há, por enquanto, uma reunião bilateral programada entre Obama e Castro, mas afirmou que os dois líderes terão "algum tipo de interação" durante a cúpula.
 
Obama disse mais cedo na Jamaica, onde fazia visita oficial, que já recebeu de Kerry a recomendação de retirar Cuba da lista de países patrocinadores do terrorismo, mas esclareceu que ainda não tomou uma decisão sobre o assunto.
 
A sugestão de Kerry deve ser revisada agora por uma equipe da Casa Branca, que depois passará para Obama suas conclusões.
 
Cuba reivindica sua saída dessa lista, mas não considera a retirada como um pré-requisito para retomar as relações bilaterais com os EUA e reabrir as embaixadas nas respectivas capitais.
 
No entanto, analistas acreditam que esse seria um passo muito importante para a normalização diplomática entre os dois países.
 
Para retirar Cuba da lista, os EUA devem chegar à conclusão de que "durante os últimos seis meses o país não se envolveu no apoio, assistência ou cumplicidade de atos terroristas internacionais", explicou recentemente Kerry.