Promotor diz que copiloto derrubou avião da Germanwings; 150 morreram

26/03/2015


Foto: Simulador de uma cabine do Airbus A320 (EFE)
O promotor de Marselha, Brice Robin, declarou nesta quinta-feira (26) que o copiloto da Germanwings teria provocado a queda do AirbusA320 voluntariamente, resultando na morte de 150 pessoas nos Alpes franceses.
 
No entanto, o responsável pela investigação do caso ainda não sabe quais teriam sido os motivos por trás da decisão e, até agora, "nada permite dizer que se trate de um atentado terrorista".
 
O copiloto da aeronave foi identificado como Andreas Lubitz, de 28 anos, de nacionalidade alemã. Segundo a AFP, ele teria experiência de 630 horas de voo, ao passo que o piloto tinha experiência de mais de 6 mil horas. O governo alemão declarou que não acredita que Lubitz estaria envolvido em atividades terroristas.
 
Conforme a gravação de uma das caixas-pretas, o copiloto respirou "normalmente" até o momento da colisão. O áudio ainda revela que, nos primeiros 20 minutos de voo, o copiloto manteve uma conversa "normal e cortês" com o comandante. Depois se escuta o comandante preparar o relatório de aterrissagem em Düsseldorf e o copiloto respondendo de forma "lacônica".
 
Posteriormente, o comandante pede para o copiloto assumir o comando do avião, provavelmente para ir ao banheiro, e em seguida é possível escutar o movimento de uma das poltronas e uma porta que se fecha. Nesse momento, quando o copiloto já está sozinho na cabine, o equipamento de voo da aeronave é configurado para descer da altitude de cruzeiro (38 mil pés, ou 11,6 km) para o nível de 100 pés (30 m). Lubitz não fala mais nada e, tampouco, deixa o piloto voltar à cabine, já que, para a porta ser aberta, é necessário que alguém opere a fechadura pelo lado de dentro.
 
"Ignoramos a razão, mas pode ser analisada como vontade de destruir o avião", comentou Robin, acrescentando que as vítimas não se deram conta do que ocorria até o último momento, porque na gravação não foram ouvidos gritos até pouco antes do impacto.
 
Questionado se acredita que o acidente foi resultado de um suicídio, o procurador respondeu que "pessoas que cometem suicídio geralmente fazem isto sozinhas... Eu não chamo isto de um suicídio".
 
LUFTHANSA
O presidente da Lufthansa, Carsten Spohr, deu uma entrevista coletiva à imprensa na manhã desta quinta na sede da empresa, em Colônia. Segundo ele, os pilotos da companhia (e os que trabalham na subsidiária Germanwings) não passam por nenhum teste psicológico antes do início da formação para pilotagem, mas que isso acontece durante e depois do treinamento, quando são há "provas regulares" e "diversas investigações". Spohr reafirmou a confiança da empresa "na qualidade, no trenamento e na qualificação" dos pilotos da companhia.
 
De acordo com informações confirmadas por Spohr, Lubitz interrompeu por um tempo o processo de formação na companhia, mas a Lufthansa não soube precisar o motivo da parada.
 
O executivo afirma que a empresa não sabe o que poderia ter levado o copiloto a, como se suspeita, ter deliberadamente derrubado o avião. Porém, ele evitou a palavra suicídio.  "Quando uma pessoa provoca com a sua morte a morte de outras 149 pessoas, não é a palavra 'suicídio' que deve ser empregada", disse. "Nós cremos que o avião foi deliberamente levado a colidir com a montanha, por vontade do copiloto."