Eleições na Grécia foi destaque nas principais revista do país

26/01/2015


Foto: Louisa Gouliamaki/ AFP/ Carta Capital

Líder antiausteridade vence na Grécia e preocupa Europa  (Revista Veja)

O partido de extrema esquerda Syriza venceu as eleições legislativas da Grécia neste domingo com uma plataforma contrária ao plano de austeridade assumido pelo país em troca de auxílio financeiro para pagar as suas dívidas. A vitória do grupo que rejeita as exigências da troika de credores — União Europeia (UE), Banco Central Europeu (BCE) e do Fundo Monetário Internacional (FMI) — coloca em risco a permanência da Grécia na zona do euro e traz ainda mais instabilidade para o bloco. No Twitter, o premiê britânico David Cameron escreveu que o resultado "vai aumentar a incerteza econômica na Europa".

Discursando diante de uma multidão de seguidores em Atenas, o líder do partido Alexis Tsipras afirmou que a troika é "coisa do passado" e que, com a vitória, a Grécia “deixa a austeridade após cinco anos de humilhação”. Tsipras acrescentou que pretende negociar "uma nova solução, viável" para a dívida grega. Com 36% dos votos, o Syriza conquistou 149 das 300 cadeiras do Parlamento, apenas duas a menos do que a maioria absoluta – que poderá ser alcançada com alianças com outros partidos. A legenda de centro-direita Nova Democracia, do atual premiê Antonis Samaras teve 27% dos votos e obteve 76 cadeiras.

O Syriza promete renegociar a dívida do país, que soma 240 bilhões de euros (720 bilhões de reais), e afirma que vai reverter muitas das reformas exigidas pelos credores internacionais desde 2010. Tsipras declarou que não se considera vinculado às exigências da troika que, em troca de ajuda financeira, impôs um plano de austeridade econômica à Grécia. Durante a campanha, ele prometeu aumentar o salário mínimo, reduzir impostos para os mais pobres e negociar a dívida externa da Grécia. Na Alemanha, o presidente do Banco Central local pediu ao novo governo grego que "não faça promessas que não pode cumprir nem que o país não possa pagar".

As promessas de acabar com o período de austeridade no país atraíram muitos eleitores gregos, descontentes com a deterioração do padrão de vida e aumento dos impostos. A retórica contra os resgates internacionais, no entanto, renova dúvidas de investidores sobre se a Grécia será capaz de sair de sua crise financeira. Autoridades europeias temem que, com a vitória do Syriza, o país volte a ser o epicentro de uma crise no continente. Nesta segunda-feira, em Bruxelas, os ministros do Eurogrupo – os 19 países que integram o euro – vai se reunir para analisar o resultado da eleição grega.

Extrema-esquerda vence eleições na Grécia (Carta Capítal)

Os gregos mandaram um recado ao governo neste domingo 25 ao darem uma ampla vitória ao Syriza, partido de extrema-esquerda de Alexis Tsipras, pronto a contestar a austeridade imposta pela União Europeia.O Syriza abriu entre 8,5 a 16,5 pontos percentuais sobre o Nova Democracia, do atual premiê Antonis Samaras, muito além dos números trazidos nas últimas pesquisas. Com essa votação, o partido entre 146 e 158 lugares no Parlamento - 151 representando maioria absoluta.

"Essa é uma vitória histórica" e uma "mensagem que não afeta somente os gregos, mas ressoa em toda a Europa, já que traz um alívio", declarou o porta-voz da formação, Panos Skourletis. A vitória foi comemorada com uma explosão de alegria no comitê do Syriza, no centro de Atenas.

O partido de Alexis Tsipras obteria entre 35,5% e 39,5% dos votos, enquanto a Nova Democracia, do primeiro-ministro Antonis Samaras, é creditado com entre 23 e 27%. A votação foi observada de perto pelos parceiros europeus de Atenas, preocupados com a intenção do Syriza de renegociar a enorme dívida grega e desafiar de maneira inédita os programas de austeridade impostos pela União Europeia.

O sucesso do Syriza dá esperanças aos partidos da esquerda radical na Europa, especialmente na Espanha, onde o partido Podemos, surgido a partir do movimento Occupy, tem crescido. "A esperança está chegando, o medo vai embora. Syriza, Podemos: nós venceremos", declarou Pablo Iglesias, presidente do Podemos, antes mesmo que as urnas fossem fechadas.

O governo de Samaras foi sancionado por ter tentado cumprir o máximo de exigências impostas pela troika de credores de Atenas (Banco Central Europeu, União Europeia e FMI), em troca de 240 bilhões de euros emprestados ao país desde 2010. A conta ficou pesada para a população, vítima de uma alta taxa de desemprego - que atinge 25% - e de reduções drásticas de salário.

"Os menos favorecidos não têm nada a perder"

Durante a campanha, Tsipras prometeu aumentar o salário mínimo, suprimir certos impostos para os mais pobres e negociar a dívida externa da Grécia, que soma 300 bilhões de euros, o que representa 175% do PIB. Alexis Tsipras, que anunciou medidas imediatas como aumentar o salário mínimo de 580 para 751 euros, disse que não se contentaria com uma simples renegociação da dívida externa grega - que soma 300 bilhões de euros, 175% do PIB.

Tomando como exemplo as concessões feitas após a guerra na Alemanha - hoje, reduto da ortodoxia orçamentária na Europa - Tsipras quer reduzir drasticamente a dívida, deixando os mercados financeiros em alerta. Os eleitores gregos, alguns bastante descrentes, deram seu voto de confiança a um partido que Samaras tentou descreditar durante a campanha eleitoral.

Mas numa seção eleitoral do Pireu, Vaia Katsarou, 49 anos, advogada, resumiu o sentimento geral: "É um risco, mas os desfavorecidos não têm nada a perder". Caso obtenha maioria absoluta, Tsipras terá as "mãos livres" para aplicar sua política da maneira que deseja. Caso contrário, terá que encontrar aliados - mas os resultados ainda o deixam com uma boa margem.

Para o economista da UniCredit Erik Nielsen, este voto é "de grande importância, talvez histórica", embora acredite que um governo do Syriza seja menos radical do que seu discurso. Como possível aliado figura o To Potami (O Rio), fundado há apenas um ano, que pretende ser o terceiro partido da Grécia.

Outro partido que aspira um terceiro lugar é a formação neonazista Amanhecer Dourado, apesar de ter sete deputados e dezenas de seus membros presos sob a acusação de "pertencer a uma organização criminosa".

Pesquisas atribuem aos dois partidos 6,4% dos votos.

 

Fonte: Revista Veja e Carta Capital