Pastor Christian Trindade: "Se digo que Jesus é o meu Senhor tenho que obedecer"

17/08/2014

Por: Géssica Ribeiro

O pastor Christian Trindade, da Igreja de Cristo no bairro Santa Tereza é cristão há 12 anos, casado e pai um casal de filhos. Oficialmente consagrado a presbítero, exerce há 9 meses, a função pastoral na congregação. Em entrevista à jornalista Gessica Ribeiro, falou sobre o ministério e sobre a seriedade da conduta e ensinamentos cristãos.

Qual a missão e valores da Igreja de Cristo?
Cremos  que Jesus é o nosso senhor e salvador, então temos tentado com base na Palavra de Deus divulgar isso. Buscamos ser uma igreja relevante, e um igreja relevante não é importante por causa de pessoas da alta sociedade que a frequentam,  nem porque nos grandes eventos ela é citada. Mas é uma igreja que é a voz do povo, que se preocupa com os excluídos e necessitados do contexto onde ela está inserida, ou seja, deve fazer algo pelo bairro pela cidade. Sem esquecer também daqueles  que ainda não professam Jesus como seu senhor e salvador.

Como surgiu o chamado pastoral na sua vida?
A palavra de Deus diz o seguinte a respeito do chamado, seja ele qual for, ele se dá através de uma capacitação que Deus promove aos seus servos, a igreja apenas reconhece pro intermédio do que chamamos de consagração. Na realidade, eu estou pastor, mas sou presbítero. Dois anos após minha conversão, eu e minha esposa discipulamos um grupo, durante 3 anos no Jardim América. Em 2005 recebemos um convite para trabalhar com famílias, e em 207 criamos um congresso de casais realizado pela Igreja de Cristo, interdenominacional, que tem abençoado a vida de muitos casais. Em 2012, saimos da congregação onde iniciamos nossa caminhada na fé cristã, por não concordarmos com a forma de pensar daquela liderança, pois não estava de acordo com a Palavra. Quando eu sai, recebi propostas para assumir o pastorio de outras igrejas e quando eu cheguei em Santa Tereza me pediram para assumir o pastoreio mas não aceitei, por entender que não era o tempo. O pastoreio presbitério, diaconato não deve ser planejada, galgada, ela surge de acordo com o direcionamento de Deus. No final do ano passado, o pastor dessa congregação me pediu para assumir pois por motivos de ordem pessoal ele precisava deixar a função, e o pastor presidente me pediu novamente para assumir a função pastoral. Devido a essa necessidade eu aceitei.

Como o Sr. concilia vida pessoal e ministerial?
Não vivo da obra, sou funcionário estadual e municipal, mas a igreja me propôs pagar algumas tardes para que eu posa lidar com a igreja, um pouco mais presente. A gente entende que o pastor acima de tudo tem  se enfadar na Palavra e cuidar das ovelhas, e por mais que eu tenha minha vida, meu trabalho pessoal, não posso é importante dedicar o máximo de tempo que eu puder.

Não há problemas em exercer a função pastoral sem ser oficialmente consagrado?
Há planos pra uma consagração muito em breve, não por mim, mas a próprio pastor responsável pela região, Gerson Salustre já tocou nesse assunto. Mas eu não estou preocupado com isso. Como disse, tem que ser tudo natural, eu entendo que igreja não é empresa, para os que crêem, é uma comunidade terapêutica onde Deus nos coloca ali a princípio a serviço dos outros.

O número de igrejas de diferentes denominações aumenta consideravelmente, e é  preocupante a falta do embasamento bíblico em suas doutrinas. Qual a sua opinião a respeito?
Vemos muitas igrejas surgindo e as pessoas dizendo que foi por revelação de Deus. O que tem acontecido é que muitas pessoas não querem se submeter à Palavra. É muito fácil amar o Jesus salvador, mas o Senhor, ninguém quer adorar, se submeter. Quando eu digo que Jesus é o meu senhor, eu tenho de obedece-lo.

O que o Sr. acha que motiva esse crescimento desordenado?
Há pessoas que não tiveram sucesso aqui na vida secular, não conseguiram ter um bom desempenho profissional, mas tem uma sede muito grande de poder, e por isso fundam uma igreja, e se autodenominam apóstolos, bispos, pastores. Quando a Igreja de Cristo, surgiu, demorava muito a aparecer igrejas novas, mas hoje elas surgem de um da para o outro. É muita gente querendo  criar seu próprio reino. Isso é preocupante, porque muitas pessoas se perdem em meio a doutrinas vãs, com ao teria da prosperidade.

Em relação à teoria da prosperidade, ela acaba distorcendo o real significado dos dízimos e ofertas.
Dízimo e oferta é um mandamento, mas não tem a ver com barganha, com aquilo que dizem “dê pra que receba mas em troca”, tem a ver com a manutenção da igreja, pra que possamos continuar acolhendo e abençoando vidas.

A igreja cumpre uma missão social,mas falta incentivo do Poder Público.
Como se não bastasse isso, ainda atrapalham quem faz. Por exemplo, havia um trabalho realizado por um pastor no Jd. América, a instituição Peniel que abrigava jovens dependentes químicos para trata-los com terapia ocupacional, e a Palavra de Deus. Mas teve que fechar por falta de estrutura e profissionais, mas o Executivo nada fez para impedir o fechamento. Triste.

Fonte: Potiguar Notícias