Entrevista com Jussier Ramalho

28/12/2013

Por: José Pinto Junior
Nascido em meio às dificuldades de uma vida pobre, Jussier Ramalho se tornou um empreendedor de sucesso reconhecido, e um dos 10 palestrantes mais requisitados do Brasil. Com sua banca de jornais em Natal, Rio Grande do Norte, ganhou notoriedade, e chamou atenção de faculdades para palestrar sobre seu modo de gestão e empreendedorismo. Desde então, nunca parou com suas apresentações, entrando para o mundo corporativo e prestando serviços para grandes empresas como Banco do Brasil, Petrobras, Sebrae e Johnson & Johnson.
 
Em entrevista para o jornalista José Pinto Junior, para o programa Conexão Potiguar, ele conta sua trajetória profissional, mostrando com seu exemplo de superação, que mesmo nascendo e morando num bairro pobre da periferia de Natal, se tornou conhecido e disputado para participar de grandes congressos e treinamentos em empresas. Confira:
 
Você tem viajando não só o Brasil como também outros países fazendo palestras. Quais as principais diferenças e características empreendedoras que você identifica entre os empreendedores potiguares e os do sul do país, por exemplo?
O empreendedorismo  é algo muito próximo a todas as pessoas. Todo mundo que quer mudar de vida precisa ser um empreendedor.  Ser empreendedor,  é saber e  ter coragem para arriscar. Não existe limites. Tanto no Rio Grande do Norte como em São Paulo ou em qualquer outro lugar, abrir uma empresa é um risco, pois você não sabe se vai dar certo. Eu sempre digo que a própria vida é um risco. É preciso se arriscar, pois somente as pessoas que  arriscam podem alcançar o sucesso. Quando vai abrir uma empresa, você precisa conhecer o público que vai comprar o que você vende, como vai vender,  qual a localização. Tudo isso são atitudes e situações que você deve agrupar pra que possa obter sucesso. 
 
Quando você fala desse risco, não se refere à uma ação irresponsável,  mas sim a um risco calculado. Podemos afirmar então que essa é a diferença entre o sucesso e a morte?
Exatamente. Você deve arriscar, mas sempre de forma planejada. É muito importante planejar, mas pessoas às vezes querem abrir um negócio sem pensar. Eu sempre digo que é importante ter o pé no chão e a cabeça na lua.  Quando você  vai abrir uma empresa, você  deve planejar e executar. Não adianta planejar muito e agir pouco, é preciso unir essas duas características para fazer dar certo.
 
Você é potiguar, e ficou muito conhecido aqui por causa da sua Banca, que era sua marca. Por que deixou a esse trabalho? Não deu pra conciliar a atividade com a vida intensa de palestraste?
A correria dos meus compromissos como palestrante  influenciaram na decisão, mas o principal motivo foi a insegurança. Fui assaltado 21 vezes na Banca, e até fui levado como refém dos bandidos. Os prejuízos e a falta de segurança me deixaram com medo, e eu decidi vendê-la. Resolvi investir em outro segmento, e está dando certo, pois a minha agenda de palestras é bem apertada. Costumo dizer que moro no aeroporto, durmo no avião, e meu CEP  é de Natal.
 
Os consultores empresariais quando se pronunciam, sempre falam da palavra inovação. Este título que você acaba de anunciar tem a ver com a questão da necessidade de se transformar continuamente?
Eu sempre digo que no mundo de hoje você não precisa inventar a roda, mas sim reinventar a forma de rodar. Por exemplo, enquanto todos vendiam revistas, eu não apenas as vendia, como também transmitia informações quentes para meus clientes. Esse era meu diferencial, pois eu pegava as revistas e jornais na Ribeira todos os dias às 5h da manhã e lia as notícias. Quando abria a banca às 7h, eu já sabia as principais matérias das revistas e jornais. Com isso eu mudei a forma de vender, percebendo que não é apenas atender o cliente,  mas sim entender o  cliente,  que nem sempre sabe o que quer.

Fonte: Potiguar Notícias