Renisse Ordine

05/12/2019
 
Gracias a la vida de Violeta Parra
 
Nós, latino-americanos, só temos a agradecer pela sorte de termos tido em nossa América uma artista como Violeta Parra, que com sua voz, valorizou esse solo e bradou contra as injustiças desse povo tão sofrido pelas lutas e pela política opressora.
 
Como sempre dizem uma estrela nunca morre, ela transcende a vida e irradia o seu brilho pela eternidade. Assim, podemos definir a artista chilena Violeta Parra, uma artista politica e poética, que em suas canções 
 
Durante os seus cinquenta anos de existência, Violeta Parra revolucionou a cultura chilena, valorizando o folclore em suas músicas, até a criação do “Nueva Canción Chilena”, um movimento que aconteceu na década de 60, encabeçada por ela e acompanhada por outros músicos que priorizaram a cultura regional.
 
Violeta Parra foi uma mulher que valorizou a figura feminina, com toda a sua grandiosidade, como certa vez citou um apresentador da TV argentina, quando entrevistada: Uma pequena mulher, mas uma grande artista.  Ela impressionou a todos argentinos durante a sua estadia no país, com a vivacidade de seus talentos: Poeta, cantora, artista plástica, ceramista, compiladora e tecelã.
 
Considerada pela cultura chilena, como a principal Folclorista do Chile, Violeta Parra, recebeu as influências de seus pais, que com a sua simplicidade de vida, admiravam o seu estilo musical. A música esteve presente desde muito cedo na vida da artista, que desde os 9 anos já estava se iniciando nos seus estudos autodidatas nessa área, cantando, tocando violão e escrevendo as suas primeiras músicas, e aos 17, já se apresentava com os seus irmãos em bares e circos da província de Ñuble. 
 
A música e arte foram seu alicerce para enfrentar a vida, que para ela não foi nada fácil. Sempre teve os seus aliados na família que a auxiliaram a confrontar os desafios, primeiramente a sua irmã Hilda, que juntas formaram a dupla “Las Hermanas Parras” e posteriormente os seus dois filhos Ángel Parra e Isabel Parra, com quem em 1965, se apresentou com shows de “La Peña de Los Parras”. Ángel e Isabel também tornaram-se artistas de destaques no Chile, participando do movimento “Nueva Canción Chilena” iniciada por ela, se dedicando também ao resgate do folclore.
 
Como toda a influência musical, as canções de Violeta foram voltadas também para a vida daqueles que mais precisam de atenção, os oprimidos e explorados, como também dos revolucionários da América Latina, que sofreram repressões durante a Ditadura. Em seus versos, a injustiça social sempre foi fortemente aclamada, tornando-se hinos para todos àqueles que não aceitavam e ainda não aceitam a desigualdade que a nossa América é submetida. 
 
Sua voz entoou os mais belos hinos, que como ela mesma dizia que só poderia ser interpretada por alguém como ela, uma voz sofrida, que refletisse todo um sofrimento interno.
 
Me mandaram uma carta,
Por el correo templano
Y en esta carta me disse
Que cayó preso mi Hermano,
Así lo tema com grilos,
Por las calles lo arrastraron, si.
 
( Trecho da música “La Carta”)
 
Por toda a América Latina, suas canções ganharam outras vozes, artistas de influências musicais, regravaram “Hinos” de Violeta Parra, como Milton Nascimento, Elis Regina e Mercedes de Sosa.
 
Além da música, a arte plástica lhe trouxe grande destaque, ela foi a primeira artista latina a expor uma exposição no Museu do Louvre, na França.
 
Assim foi Violeta Parra, com seu rosto marcado por toda a vida por uma varíola que a atingiu ainda criança, sobreviveu a muitos percalços de sua existência, como a perda de sua filha ainda bebê, sem ao menos poder se despedir. Viveu procurando a felicidade no amor, necessitava manter o seu coração preenchido, apesar de toda a sua liberdade externa, e isso infelizmente foi o que a levou a um triste fim. Sua vida, caracterizada por toda uma trajetória de luta, transformou essa mulher, com o nome de flor sensível, em uma guerreira, que compôs a bela canção do chile “Gracias a la vida”.
 
El minero produce buenos dineros,
pero para el bolsillo del extranjero;
exuberante industria donde laboran
por unos cuantos reales muchas señoras
y así tienen que hacerlo porque al marido
la paga no le alcanza pal mes corrido.
Pa no sentir la aguja de este dolor
en la noche estrellada dejo mi voz
 
( Trecho da música: Al centro de la injusticia)