Renisse Ordine

28/11/2019
 
O positivismo, a sociedade e a mulher
 
Bom, seria tudo muito diferente se as mulheres continuassem a sua vida, caso o positivismo não tivesse sido implantado no Brasil.
 
O positivismo foi um pensamento filosófico, idealizado pelo francês, Auguste Comte, e serviu como uma base que norteou a nova política que estava surgindo no país, após o fim da Monarquia. Caroline Massin e Clotilde de Vaux foram as duas mulheres que inspiraram essa nova ideologia. Representando duas vertentes, que modificaram a sociedade brasileira no inicio de 1889. 
 
Para Comte, a mulher de família, pura e honesta era tudo o que Clotilde significava para ele; e a mulher que não honrava os seus compromissos familiares, e queria se libertar das amarras sociais, estava fixada à figura de Caroline, mulher com quem ele foi casado por 17 anos, e posteriormente, abandonado. 
 
Antes de a sociedade brasileira ter sido contaminada por essa corrente conservadora, as mulheres já estavam liderando e cuidando sozinha de suas famílias e era necessário, pois os seus maridos estavam participando de lutas e revoluções. Uma série que ilustra bem essa fase é a “Casa das sete Mulheres”, escrita por Letícia Wierzchowsk.
Com o início da República (1889- 1930), as mulheres voltam a ser recolhidas em suas casas e os homens saem às ruas para conquistarem o seu espaço profissional, sem tê-las como adversárias. O conceito da mulher ideal passa a ser a da dona de casa, mãe, cuidadora. A qual não vivia para si, mas para os filhos e o marido. O anjo protetor, assim elas ficaram assim conhecidas.
 
Tanto que o simbolismo das arquiteturas da época tinha essa representatividade, inclusive a do túmulo dos maridos. Pois, mesmo após a morte do marido, a mulher continuaria eternamente fiel a ele e a família, vindo a ser amparada pelos filhos. 
 
Na cultura, as mulheres foram também prejudicadas por não poderem expressar os seus pensamentos e opiniões, tanto que não podiam nem votar. A época, as mulheres que ousavam escrever além do amor, e conseguiam publicar nos jornais, tinham a sua imagem destruída pelo público masculino, acabando, assim, com a sua reputação. 
Sendo estas atividades favoráveis somente ao homem. As mulheres que se aventuravam e decidiam afrontar a sociedade, eram julgadas e também perdiam a proteção do estado, após perderem os seus pais. Ou elas se casavam, ou o máximo que poderiam fazer era se dedicar ao magistério, neste caso, ainda ficavam protegidas pelos pais e pelo governo, que as amparavam financeiramente. 
 
Mesmo com o fim do positivismo, as mulheres não conseguiram se libertar desse conservadorismo. Ainda hoje, sentimos esses reflexos nas sociedades, que as julgam por suas escolhas. Tanto que, no caso, a mulher escritora ainda luta para conseguir o seu espaço intelectual, tendo que provar a sua capacidade perante o homem. Sem, principalmente, abandonar a família, seguindo um longo processo de juízos, quanto ao sucesso na ordenação de sua família.
 
Essa divisão criada por Comte: Clotilde x Caroline ainda perpetua. Esperamos pelo dia em que a sociedade se livre desse passado, e considere que a felicidade de uma família deve-se pela união do casal e na divisão de responsabilidades, como também, a imagem da mulher profissional e intelectual venha a ser respeitada e acolhida, e não aponte outro motivo, como: falta de louça para lavar. 
 
A unificação é o que se espera devido a isso a representativa se faz necessária, em todos esses nossos dias de luta.