José Pinto Júnior

21/11/2019
PINTO - Como surgiu a ideia de ecrever o "Memorial Poético da Loucura"? Tem muita loucura no mundo?
 
ASSIS  - A leitura de um outro livro; "infelizmente essa loucura é quem salva a humanidade". Eu tinha lido e relido  Erasmo de Roterdão em seu "Elogio da loucura" e aquilo me impressionou porque ele tentou mostra a beleza e a grandeza da loucura que transforma. Nós temos a loucura patológica, não é dessa que falo - nem foi dessa que falou Erasmo.
Aquela loucura que transforma nossa criatividade. Nós somos imagem e semelhança de Deus porque criamos também. Lembrei dos descobridores. Não existe loucura maior em querer ir as Índias Ocidentais, Cristóvão Colombo mudou a face da terra. Em todas as áreas existem loucos, na medicina, na informática eu destaquei vários ramos do conhecimento.
 
PINTO - O Sr traz também muito humor, tem um poema aqui sobre Copérnico "Galileu ascendeu o farol mas teve que apagar. Um retrocesso? Não podia enfrentar a ignorância, a ameaça suprema da intolerância e da Inquisição, a corte da mentira, a fogueira aos seus pés quase acessa ele disse; 'Com certeza, ao redor desse sol a terra gira'. Mas ainda hoje tem gente que é terraplanista.
 
ASSIS - Havia uma ignorância terrível e nós não somos juízes para condenar a história. E alguns desses absurdos tinham fundamento da Bíblia. Como síntese desse livro e desse tipo de loucura há no livro uma estrofe que diz 'Não falo da loucura que elimina o bom senso, a razão e a alegria da mente sombreada à luz do dia, carente da ação da medicina. Eu canto gênio, ousado e criativo ao sopro do saber receptivo, vacinados dos vícios da neurose, quero exaltar os feitos imortais além dos ideias. Imunes aos encantos da normose'.
 
PINTO - Então existe um recorte ético.
 
ASSIS - Existe. Eu imaginei um requerimento do médico Andreas Vesalius (pai da anatomia moderna) à um juiz. 'Meritíssimo e digno juiz. Eu Andreas Vesalius nominado espirito livre e tão ousado da medicina ainda aprendiz. Requeiro e imploro a Vossa Excelência, humildemente em nome da ciência que seja a minha guarda a deferido o corpo a ser levado a execução será mais uma na dissecação que debaixo da terra apodrecido'.
 
PINTO - E ao mesmo tempo que percebi que em vários versos o senhor pega o pensamento de diversos pensadores da humanidade como socráticos e pré-socráticos mas o senhor traz um traço de humor.
 
ASSIS - A música em Beethoven por exemplo 'Tan, tan, tan, taaaaaaaan é a Quinta Sinfonia de Ludwig van Beethoven, o louco, louco por música sim e pouco a pouco cativo da surdez, quanta ironia. Foi o mais aplaudido do seu tempo. Sua Nona Sinfonia, conduz aos céus da musicalidade o maior entre os maiores, sem igual, um delírio universal ontem e hoje e por toda a eternidade'.
 
PINTO - Uma das coisas que percebi dentro do seu livro é que as que pessoas ousam, que buscam algo a mais do que é o comum são chamadas de loucas. Quando se busca o ineditismo é tachado de louco até nos dias atuais.
 
ASSIS - Alan Turing foi ele que salvou boa parte da humanidade decifrando o enigma alemão mas era homossexual.Então a Inglaterra não perdoava isso, e apesar de ter feito um bem a humanidade foi preso. Mas recentemente a Inglaterra reconheceu a tolice e ingratidão que comentou e voltou a homenageá-lo.
 
PINTO - Sempre que termino um bate-papo com escritor anunciando o próximo livro, qual será o seu?
 
ASSIS - Como os cinco primeiros eu não faço a menor ideia mas virá.