Renisse Ordine

31/10/2019
O mistério do tempo: Saber olhar para trás é uma maneira de garantir o futuro
 
 
A memória é uma das maiores maravilhas dessa vida, cada pessoa guarda lembranças e histórias próprias ou coletivas. Por isso, ter a sensibilidade de ouvir o que os outros têm a nos contar ou ler o que foi escrito por alguém, nos possibilita a adentrar em outros mundos, conhecer e aprender o que não tivemos a oportunidade de enxergamos com os nossos próprios olhos. Principalmente, nessa atual época em que vivemos, na qual tudo é passageiro e sem apego. 
 
Todos os momentos e fases de nossas vidas passam rápidos demais. Mas, felizmente, as memórias permanecem. Independentemente do sentimento que vem à tona, é sempre muito bom recordar, seja lá o que for; bons momentos ou luta vencidas. 
 
Uma fotografia guardada entre livros esquecidos na estante remexe com os sentimentos que tentamos sempre deixar organizados dentro do peito. Assim, como também as lembranças de lugares e pessoas que, repentinamente, ressurgem, levando à nostalgia, desmobilizando cegamente, esse cotidiano em que vivemos, onde muitos afirmam “estar tudo normal”. 
 
Essa é uma crônica do tempo. Em que tudo se perde, menos as palavras. Sem desvios de vírgulas, e sem pausa sem esperança do ponto final. Escrever e falar são artes, a mais perfeita do ser humano. Se a arquitetura não pode se manter edificada, as palavras, elas, sim, sempre estarão prontas para serem encaminhadas, seja pra quem ou onde for. 
 
O mistério do tempo é saber preservar o que somos, com as nossas histórias para tocar, sentir com as duas mãos e os pés, velhos e novos; e não possuir uma memória perdida para chorar.