Ana Paula Campos

21/10/2019
 
FÉ SEM OBRAS É MORTA: ÁGATHA, PRESENTE!
 
Acordei no dia 21 de setembro com a notícia da morte da menina Ágatha Vitória Sales Felix, de apenas 8 anos, que voltava para casa numa kombi com sua mãe, no Complexo do Alemão, na Zona Norte do Rio de Janeiro.
 
Moradores e familiares relataram que PMs atiraram contra uma moto que passava pelo local onde a kombi estava parada desembarcando passageiros. Um único disparo! Os jornais falavam em “bala perdida”, mas nós sabemos que essa bala tinha um destino certo. Os alvos são quase sempre pretos/as, negros/ as e pobres. Uma bala de extermínio. Crimes de racismo que vem sendo acobertados por um governo fascista com sua política higienista, genocida e racista.
 
Nas redes socias, acompanhava comentários de comoção e lamento em nome de Deus. Mas não foram os cristãos, em sua maioria, que elegeram esse atual presidente, fazendo arminha com as mãos? Onde estavam todas essas pessoas que hoje enchem suas páginas virtuais com #AgathaPresente, quando Bolsonaro proferia discursos de ódio contra às minorias?
 
A bala que encontrou o corpo da menina negra Ágatha, estava carregada de ódio, preconceito, racismo e ignorância, e toda essa maldade está escondida, muitas vezes, atrás de discursos hipócritas de neutralidade. 
 
Logo após a morte de Ágatha, um grupo de dez a vinte policiais militares invadiu o hospital em que ela tinha sido internada e, numa óbvia confissão de culpa, tentou recuperar o projétil que a matara. Um mês após sua morte, a maioria dos onze policiais que estavam no dia da morte da menina não quis participar da sua reconstituição. 
 
Não me venham agora falar em nome de Deus. Queremos a justiça dos homens já! Queremos saber quem matou Ágatha Vitória Sales Felix. Queremos a punição para os culpados! Se sua fé não vem acompanhada de lutas políticas em defesa das classes oprimidas e contra os assassinatos de inocentes nesse país, ela não vale de nada!
 
“Quantos mais vão precisar morrer para que essa guerra acabe?”, perguntou Marielle Franco, em 13 de março de 2018. Ela foi morta à tiros no dia seguinte. Um ano e sete meses após a sua morte, a pergunta ainda reverbera: Quantos?!