Evandro Borges

27/09/2019
 
Mossoró abolicionista e negociações coletivas de trabalho
 
Estou em Mossoró no período  da abolição, do trinta (30) de setembro,  como de costume os Governos transferem os atos administrativas para a cidade, se transforma na “Capital do Estado” no período com inúmeras ações, uma delas na sede do Sindicato da Lavoura, que tratou sobre documentação das trabalhadoras rurais, por dois dias consecutivos, beneficiando as camponesas, inclusive os moradores do bairro do Alto da Conceição.
 
Espera um bom ato administrativo para tratar sobre o relançamento do Programa de Crédito Fundiário de aquisição de terras, com recursos transferidos da União, com a responsabilidade da SEDRAF e colaboração do Centro Terra Viva, na estruturação técnica, por demais importantes para os agricultores e agricultoras familiares, para o movimento Sindical dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais, que historicamente trabalharam a sua concepção, junto ao BIRD.
 
Mossoró é o Município pioneiro que antecipou a abolição dos escravos, certo também, quando no país já havia legalmente a proibição do tráfico negreiro, e quando a esmagadora maioria dos escravos estava se transferindo para Minas Gerais em virtude da exploração da mineração, mesmo assim, é um fato histórico e de liberdade, como também, tantas outras iniciativas da maior dignidade de registro histórico.
 
Outros registros se podem citar o primeiro voto feminino através de Celina Guimarães, da resistência efetuada ao bando de Lampião com vitória dos Mossoroenses, da revolta das mulheres ao alistamento militar obrigatório, são fatos da História do Rio Grande do Norte, e outros como, a implantação do curso de Agronomia, que tanto contribui com o agronegócio da fruticultura e da agricultura familiar.
Nesta sexta-feira ocorre mais uma rodada de negociação coletiva de trabalho da fruticultura, uma tradição de mais de trinta anos, sempre avançando na melhoria das condições de trabalho dos assalariados rurais, e quando o mercado externo que recebe as frutas, principalmente, o melão, melancia, manga e bananas, exigem certificações de natureza ambiental e social, aumentando a responsabilidade de todos os envolvidos.
 
O momento é de assegurar a empregabilidade, uma garantia para toda a Região de Mossoró e do Vale do Açú, no entanto, se precisa avançar na dignidade humana, incluído o salário com maior poder de compra, correspondendo ao crescimento empresarial que sempre avança na fronteira agrícola e na produtividade, com abundância de água e terras boas e adequadas para produzir e afastar de vez, qualquer hipótese ao trabalho análogo ao escravo.
 
O período abolicionista de Mossoró, que se devem fazer todas as homenagens ao ato libertário que contribuiu para a formação do povo brasileiro, e ao mesmo tempo, na oportunidade da rodada de negociação, a celebração da convenção coletiva, melhorando as condições de trabalho e salarial, dando dignidade, consistindo em um verdadeiro pacto de cidadania laboral.