Evandro Borges

13/09/2019

Semáforos e transporte público de massa

A semana na mídia Norte-Rio-Grandense foi colocada na ordem do dia os semáforos (sinais de transito) instalados nas Avenidas Hermes da Fonseca e Salgado Filho, algumas com “botoeiras” para pedestres, invariavelmente com ataque aos técnicos da administração pública municipal, com denúncias de beneficiamento direto por tráfico de influência de empresas e Igreja, obviamente foram negados pelos acusados, alguns com bons debates e outros até intolerantes faltando um mínimo de diálogo.

A questão diz respeito ao “engarrafamento”, ou seja, a retenção do transito para veículos automotores no momento do chamado “horário de pico”, como um fato real, que consiste em uma verdade, sem oferecimento de alternativas, com os técnicos alegando o que se está facilitando a prioridade para o transito de pedestres, dos ciclistas e o transporte coletivo.

O transporte coletivo e de massas nunca foi privilegiado nestas paragens, com raríssimas exceções e o transporte automotor, atende interesses das camadas médias e abastadas, ao comércio de carros e motos, a indústria automotiva e a construção civil com obras, pois, a Região Sul está ficando arquitetonicamente belíssima em detrimento das demais zonas, atendendo também, ao segmento do turismo, importante para Natal e como porta de entrada para o Estado.

O nosso individualismo e falta de solidariedade moldam os comportamentos, repercutindo na problemática dos estacionamentos, dos retornos, na ausência de calçadas adequadas para as caminhadas e deslocamentos (apesar das melhoras), em arremedos de ciclovias, no pouco conhecimento da legislação e educação do transito, em que pese às provas para a habilitação da condução dos automotores.

A grande questão não discutida, que consiste no transporte de massas e com o mínimo de civilidade, de boa qualidade, com faixas exclusivas, em que pese ter se iniciado, com pontualidade e disponibilidade, com tarifas que comporte o bolso da maioria da população e até subsidiado, pela importância da locomoção para a realização das atividades humanas, uma delas da maior significância, que consiste no trabalho.  

Um transporte coletivo e de massas de boa qualidade retiraria o transporte individual do transito, principalmente em face dos preços proibitivos do combustível, com uma política de preços que não atende os interesses da maioria da população, pois melhoria a mobilidade, evitaria está quantidade de acidentes desarrazoadas, diminuindo também, a quantidade de urgências hospitalares.

Os trens urbanos, e os transportes e veículos leves sobre trilhos, conhecidos por “VLT” em excelentes condições, que estão dando certo nas linhas que interligam os bairros de Natal para Ceará Mirim e Parnamirim, devem ser retomados com outras linhas e alternativas, devendo ser o esforço da administração estatal e da sociedade, para mitigar o problema.

A oportunidade das alterações do Plano Diretor de Natal deve ser colocada também, na ordem do dia, a mobilidade em geral, discutindo está importante dimensão, uma vez que o adensamento populacional de Natal, que vem sendo posto como forma de modernizar e preparar a cidade para os anos vindouros, poderá facilitar na melhoria da mobilidade, atracando a problemática dos semáforos e do transporte de massa.