Andrea Nogueira

07/09/2019
 
Independência ou Morte
 
 
Uma frase exclamativa famosa marcou a história do Brasil. “Independência ou Morte!” disse D. Pedro I, próximo ao riacho do Ipiranga, erguendo sua espada e chamando a atenção de todos ao seu redor sobre a importância de finalizar o domínio português através de uma autonomia política.
 
 “Independência ou morte!”, alguém gritou. Naquele clamor havia uma reflexão sobre a contundente relação da vida com a independência e da morte com a dependência. Ainda hoje, muitos proclamam a mesma reflexão.
 
Negros, pobres, mulheres vítimas de violência doméstica, indígenas, deficientes e todas as pessoas que fazem parte de determinado grupo que contrastam com a riqueza, oportunidades de grandes empregos, liberdade e desenvolvimento social, já gritaram a mesma frase.
 
Harriet Tubman, uma abolicionista americana nascida durante época de grande escravidão (1822), viveu tão intensamente que a certeza do dever de proclamar sua independência se concretizava a cada dia. Ela resgatou muitos escravos com a ajuda de outros ativistas. Certo dia comentou: “Libertei mil escravos. Poderia ter libertado outros mil se eles soubessem que eram escravos”. Harriet era uma mulher que reconhecia a independência como sinônimo de vida. Ao longo da história, muitas pessoas também aprenderam a reconhecer o mesmo. E é isso que o conhecimento faz: ele liberta; dirige as pessoas rumo à independência.
 
Hoje, certamente encontraremos pessoas muito próximas transformadas a partir desta consciência. Pessoas que sabem que sem independência, são mortas. E assim, aplicam esse conhecimento como filosofia de vida, mesmo sem levantar uma bandeira com esta anotação.
 
Quanto às mulheres, por exemplo, é possível acompanhar uma história de construção de independência ao longo de décadas. Hoje, o resultado da referida construção iniciada há centenas de anos consagra importante período de transformação social, com modificação de estruturas familiares e novas concepções profissionais. O grito “independência o morte!” já foi proclamado por milhares de mulheres que trocaram a tradicional submissão pela desconhecida liberdade. Elas puderam alcançar a verdadeira vida, a partir do princípio de que esta não existe dentro da dependência absoluta.
 
Assim como ensinou Harriet, podemos ajudar a libertar muitas mulheres apenas espalhando notícias sobre os seus direitos previstos em nosso arcabouço legal. Esclarecer, dia após dia, que existem direitos e proteção legal contra a violência, por exemplo; esclarecer que seu salário deve ser administrado por ela própria e que a Lei Maria da Penha anotou formas de garantir isso; esclarecer que ao abandonar um relacionamento abusivo os filhos não serão retirados dela e será o agressor quem sairá da casa onde moram; esclarecer que todas as mulheres tem especial proteção legal até que a sociedade alcance o verdadeiro significado da palavra igualdade. 
 
Quando todas as mulheres souberem que podem ser livres, todas serão, porque independência é vida!