Renisse Ordine

22/08/2019
 
Resenha do livro ´Anhangá - A fúria do demônio`, de J. Modesto
 
Em agosto é comemorado o Folclore em nosso país. Época em que as figuras folclóricas são relembradas e os autores que as consagraram são relidos. Vários escritores pelo Brasil se dedicaram a transformar essas histórias, que antes eram contadas por nossos antepassados, em livros. Para que elas não se perdessem com o passar dos tempos e com o avanço da modernidade. 
 
O escritor J. Modesto é mais um a entrar no rol dos folcloristas do país. Suas obras são uma mistura de cultura popular, suspense e ficção. Podemos comprovar o seu talento no livro, Anhangá- A fúria do demônio. No qual ele recria a lenda de Anhangá, um ser conhecido no populário indígena, por ser um dos demônios seguidores de Yurupari (culto do mal). 
 
O enredo  passa-se na costa brasileira, em dois momentos de nossa história: no primeiro, já dominado pelos portugueses e com a presença do Padre José de Anchieta, na Vila de São Paulo de Piratininga e outro há 300 anos antes do descobrimento pelos portugueses.
 
Com uma narrativa adulta, o escritor de fantasia nacional, J.Modesto, conta um sombria e fantástica história, que envolve a luta entre seres da natureza, índios e magia contra uma criatura obscura que provoca a morte e o terror pela floresta, após conseguir se libertar de uma embarcação naufragada.
 
Como já sabido, os únicos habitantes aqui existentes, antes do descobrimento, eram os índios. Em meio a uma imensa terra jamais explorada e escuridão infinita, o temor começa a tomar conta das duas tribos, até aquele momento, inimigas: os Tupinambás e Tupiniquins. Que após anos de lutas entre os seus membros, unem-se para enfrentar o terrível Anhangá, que ameaça a sobrevivência de qualquer ser vivo que ali habita. Porém, o aterrorizante ser possuiu uma força além da capacidade humana, indestrutível perante as magias dos pajés indígenas e o feiticeiro mouro, também um sobrevivente desse navio. Como poderoso auxílio, são invocadas pelos pajés, as criaturas protetoras da natureza, como o Curupira e tantas outras surpresas.
 
A ideia para essa história, que envolve figuras do folclore e a história do Brasil, foi uma novidade à época do lançamento. Não havia no mercado editorial, uma Literatura fantástica  envolvendo esse tema. O conto do folclore não era destinado ao público adulto, somente o infantil, criada por Monteiro Lobato, conforme cita J. Modesto.
 
“… iniciou-se outra tarefa hercúlea: escrever uma história adulta, utilizando-se de lendas somente exploradas para o público infantil, pelo grande Monteiro Lobato. Talvez isso tenha criado certo preconceito em relação a tais seres, mas acho que consegui cumprir a tarefa, embora Anhangá seja uma obra controversa. Os leitores ou gostam muito ou odeiam, não há meio termo.”
 
Além do entretenimento, que a Literatura Fantástica oferece o leitor também irá se deparar com conhecimentos relativos à cultura indígena. Assunto que o autor dispensou uma séria pesquisa, abrangendo os hábitos e a gramática de Tupi-Guarani para elaborar os diálogos. Como também, uma ampla leitura sobre outras gentes que  por aqui estiveram e o Padre José de Anchieta.
 
Enfim, Anhangá possui um enredo inédito e fantástico. Em que os leitores, adentram com os personagens nessa aventura que envolve terror e suspense e saem dela, com nova experiência de leitura. Caminham, embalados por um grande mistério: a verdadeira identidade do poderoso Anhangá. Desde a libertação do demônio, ainda em alto mar, até ao grito final, nas terras alagadas por uma energia com alto poder de destruição.