Daniel Costa

20/08/2019
 
DOM BOLSONARO I
 
"Declaro que houve uma filha de mulher nobre e limpa de sangue, a qual ordenei que se chamasse dona Isabel Maria de Alcântara Brasileira, e a mandei criar em casa do Gentil Homem da minha Imperial Câmara João de Castro Canto e Melo. E para que isto a todo tempo conste, faço esta expressa declaração que será registrada nos livros da Secretaria de Estado dos Negócios do Império, ficando o original em mão do mesmo Gentil Homem da Imperial Câmara para ser entregue à dita minha filha, com o seu título. Palácio do Rio de Janeiro, 24 de maio de 1826, 5.° da Independência e do Império." 
 
Com essas palavras, Dom Pedro I reconhecia Isabel Maria de Alcântara Brasileira como sendo sua filha legítima e, detalhe importante: a nomeava Duquesa de Goiás, com apenas dois anos de idade. O sujeito era o imperador e não havia porquê deixar um de seus rebentos, ainda que fruto de uma escapadela com a Marquesa de Santos, sem o título nobiliárquico mais importante da época, que servia como uma espécie de cartão verde para fazer parte da família real e ser chamada de Alteza. 
 
É verdade que com o início da República esses títulos perderam a validade. Mas aí a utilização do poder governamental para prestigiar filhos e parentes já tinha firmado raízes. Hoje mesmo se vê Jair Bolsonaro agindo nos mesmos moldes do imperador brasileiro, ao pretender nomear o seu herdeiro Eduardo Bolsonaro para ocupar o car-go de embaixador do país nos Estados Unidos.
 
O presidente já deixou escapar que a intenção é mesmo a de prestigiar sua cria: “Lógico que é filho meu. Pretendo beneficiar um filho meu, sim. Pretendo está certo. Se puder dar um filé mignon ao meu filho, eu dou". 
 
Mesmo que assim não tivesse dito, a conclusão a ser alcançada não poderia ser diferente. Eduardo Bolsonaro apresenta como predicado para ocupar um dos mais importantes postos da diplomacia tupiniquim a experiência de ter fritado hambúrgueres em território ianque. Além disso, Jair Bolsonaro, em menos de um ano de chefia, já presenteou os seus descendentes com a Ordem do Mérito Naval e com a Ordem de Rio Branco, criadas com a finalidade de agraciar pessoas merecedoras do reconhecimento do governo brasileiro. 
 
É a nova política se espelhando na velha nobreza.