Cefas Carvalho

05/12/2018
 
´Paraíso perdido`: Filme que declara amor pela música romântica e pela diversidade
 
Quando anunciado o filme e divulgado o trailer, "Paraíso perdido" me encantou de cara. Pelas imagens, pela trilha sonora, pelo conceito, pelo plot:  um clube noturno gerenciado pelo patriarca de uma família de cantores, todos apaixonados por música romântica popular, bem popular, aquela considerada "brega". Até que um policial se aproxima da família ao ser contratado para fazer a segurança do jovem Ímã e isso desencadeia uma série de surpresas e elos afetivos.
 
Dirigido por Monique Gardenberg, o filme tem vários trunfos. O primeiro é a empatia que a história e os personagens criam com o espectador. De cara, somos apresentados ao mundo (e aos problemas de cada um) da família de artistas e simpatizamos com todos, embora somente aos poucos o roteiro detalhe alguns dos conflitos. Logo de saída percebe-se que a família de cantores vive um ambiente de liberdade e diversidade, tônica que será a do filme até o final.
 
O segundo trunfo é a música. Tanto a escolha das canções como as apresentações/interpretações de cada uma. Um apanhado do melhor do cancioneiro popular/romântico/brega dos anos 60/0/80, envolvendo pérolas de Odair José, Marcio Greyk, Paulo Sérgio e Reginaldo Rossi. Com direito e Roberto Carlos, Angela Maria e Belchior. Da nova geração, Johnny Hooker e Israel Novaes. Cabe no filme até mesmo uma versão em português para o clássico “You´re So Vain”, de Carly Simon. Todas interpretadas no palco, pelo elenco, em performances inspiradas.
 
O elenco é um destaque à parte. Mistura cantores como Erasmo Carlos, Jaloo e Seu Jorge com atores e atrizes conhecidos (Humberto carrão e Hermilla Guedes) e alguns poucos conhecidos do público, como Lee Taylor e  Júlio Andrade.
 
A cenografia caprichada facilita que o espectador entre no clima no "cabaré musical" do local, assim como a fotografia em cores fortes, de Almodóvar, de Frida Kahlo, cores. A parte técnica toda funciona.
 
Um pequeno senão fica em relação ao roteiro, que, bem alinhavado no início, parece oferecer alguns "furos" do meio para o fim, além de algumas situações levemente inverossímeis (não podem ser aqui descritas por serem spoilers), mas nada que comprometa o resultado final. Que é celebrar a música popular e a diversidade através de uma boa história. Tem ecos de "Tatuagem", embora bem menos visceral, e se encaixa em uma maneira de fazer cinema com uma conexão maior na cultura popular brasileira. Merecia ser o filme brasileiro indicado para tentar uma vaga no Oscar de filme Estrangeiro, que ficou com "O Grande Circo Místico". "Paraído Perdido", que está no catálogo da Netflix, merece ser assistido e revisto.