Wellington Duarte

10/10/2018
Parlamento : Extrema-Direita destroça a Direita Tupiniquim
 
 
O Senado e a Câmara de Deputados saídos das eleições de domingo (7), mostram que o cenário sombrio de 2014 tornou-se pior e promete aprofundar a crise do sistema político tupiniquim, fortalecendo a visão destrutiva que vem da candidatura nazi-fascista de Bolsonaro.
 
O resultado em si já é um sinal de que o que está ruim pode piorar, pois o forte abalo sofrido pelos chamados “partidos tradicionais”, como o MDB, DEM e PSDB, não significou uma melhoria qualitativa da representação parlamentar e sim uma piora no que se refere ao tipo de representação que teremos a partir de janeiro de 2018.
 
No Senado, uma casa mais conservadora, em que o processo eleitoral, de natureza majoritária e parcial, já que ocorrem eleições de quatro em quatro para renovações da representação, as urnas, ao invés de consolidarem um processo de mudança positiva, mostraram uma forte fragmentação e a representação, que girava em torno de 10-12 partidos, concentrado em 6 ou 7, agora será de 21, aumentando o grau de complexidade nas formações das maiorias.
 
Tomando como referência o ano de 1995, ano em que se iniciou a “era FHC”, cerca de 6-7 partidos monopolizaram as bancadas no Senado, sendo eles o PMDB (hoje MDB), o PFL (hoje DEM), o PSDB, o PTB, o PDT, o PT e o PSB ao longo dos anos seguintes e o conjunto desses partidos tinham entre 65 e 75 dos 84 senadores. Em 2014 esse conjunto de partidos tinha 72 dos 84 senadores e agora, em 2018, esse número caiu para 45, uma redução de 37,5% nas suas bancadas. Essa queda significativa foi compensada pelos chamados “partidos nanicos” (PODEMOS, REDE, PHS, PSL, PROS, SD, PRP e PTC) do chamado “baixo clero”, terão, no seu conjunto, cerca de 20 senadores e o próprio partido do Même Fascista, o fantasmagórico PSL, terá 4 senadores. Dos “partidos tradicionais”, só o DEM, PDT e PP mantiveram suas representações, enquanto o PSB perdeu 60% de sua representação; PT perdeu 50%; MDB perdeu 45,5%; o PTB 40%; e o PSDB, 25%.
 
O caso da Câmara de Deputados é mais emblemático, pois revela o grau de destruição das velhas raposas e a desqualificação da representação política nacional, dada a nova representação, formada não apenas por conservadores e reacionários, mas por plagiadoras, oportunistas desqualificados, mentirosos e militares saudosistas. Nem a “bancada evangélica”, formada por deputados declaradamente reacionários resistiu e perdeu a metade dos seus deputados.
 
O partido com maiores percentuais de perdas vem dos chamados “tradicionais” e atingiu duramente os promotores do Golpe de maio de 2016: o PTB encolheu 60%; o PSDB 51%; e o MDB 47%. Só escapou desse linchamento eleitoral o DEM, que aumentou em 38% sua bancada e o PP que só perdeu um deputado. O PT, o partido mais duramente perseguido dos últimos anos, continuou sua trajetória descendente, já que em 2014 perdera 21% de sua nacada e agora perdeu mais 18%, embora dadas as circunstâncias, possa se considerar como vitorioso, visto que continua a ser o maior partido do parlamento.
 
A grande “novidade”, foi o inexistente PSL, um mero receptáculo da candidatura do Fascista, que em 2014 elegeu 1 deputado e que contava com e, com essas eleições saltou para 52, lembrando a trajetória do Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores da Alemanha, o partido nazista, que saiu, nas eleições de 1930 do ostracismo e que, a partir daí fortaleceu-se para destruir a débil democracia alemã três anos depois.