Andrezza Tavares

09/10/2018
Por onde começar quando o assunto é a escrita infantil?
 
Por:  Profa. Dra. Andrezza Tavares
 
Um escritor infantil pode ser encontrado em toda criança que segura com uma de suas mãos um livro e com a outra, objetos para anotações. Quando este comportamento peculiar aos infantes, principalmente em fase de educação infantil, é estimulado, a aprendizagem e o desenvolvimento fluem a passos largos.
 
No nosso enxergar, o potencial escritor está em todas as crianças, de todos os lares e classes sociais. Porém, essa competência humana que não é dom, nem é hereditária, para se desenvolver, precisa da estimulação correta: manusear, pintar, desenhar, cortar, colar, brincar... A expressão escrita aflora na mesma proporção com que a criança tem contato íntimo e rotineiro com o papel. Sugerimos tateá-lo, sentir o cheiro, rabiscá-lo, fazer dobraduras... Isso significa pintar e bordar com a folha e com instrumentos de registros sobre ela como se fosse o mais interessante de todos os brinquedos.
 
 
Toda criança tem o direito de se alfabetizar com proficiência ainda na primeira infância. A produção e publicação de livros infantis com contações de estórias, aos seus modos e gostos, deveria ser uma experiência real nas escolas. Percebemos nos ambientes escolares um empenho positivo em formar crianças ledoras, porém, não percebemos o mesmo empenho em desenvolver crianças escritoras. Esse é um desafio que precisa ser eleito!
 
O clima pedagógico que estimula os imaginários e fortalece a infância, emerge quando tomamos como práxis a leitura infantil, mas também, o exercício da escrita de textos de diversos gêneros como experiência de produção próxima.
 
Livro infantil, imaginário e criatividade pedem um chão de escola com práticas que concorram para um ambiente feliz, desafiante, sinalizador de amor, promotor de desenvolvimento, acentuador das múltiplas inteligências, entre outras tantas possibilidade humanas que sofisticam a essência do ser
 
É filosoficamente correto que as escolas levem as crianças a se sentirem admiradas, enlaçadas por vínculos felizes, estimuladas em ambientes criativos e com a prática social de leitura e de escrita.
 
A escola que envolve poeticamente os aprendentes faz brotar espontaneamente o gosto pelos estudos. Isso significa, unir o valor simbólico das aprendizagens, inclusive da aquisição da escrita, com uma infinidade de situações afetivas.