Andrezza Tavares

13/09/2018

Kelyson, um jovem que encontra no voluntariado a ampliação da sua existência

Por: Andrezza Tavares, Diana Mendonça  e Lillyan Bandeira

Muitas pessoas dedicam parte de sua vida a trabalhos voluntários das mais diferentes naturezas. Existem instituições de atenção social em que essa é a única forma de vínculo das pessoas com a organização. Eles não se enquadram como funcionários, nem são remunerados, mesmo que as suas atividades demandem tempo e energia, isso se chama: voluntariado. 
 
O trabalho voluntário é de suma importância para alguns setores vulneráveis da sociedade, bem como para as pessoas  que possuem a preciosa capacidade de ‘empatia’. Kelyson de Lima Montenegro, de 36 anos de idade, casado, pai de um bebê recém nascido, é uma dessas pessoas com sensibilidade voluntária. 
Ele participa da Cruz Vermelha do Rio Grande do Norte (CVB/RN), desde os anos 2000. Contexto, inclusive, em que a atividade do voluntariado foi reconhecido como um importante fator para o desenvolvimento humano, no período de 2001, na ocasião  em que 126 membros da Organização das Nações Unidas asseguraram uma resolução internacional para a sua valorização.
 
 
Kelyson Montenegro a frente do exército de voluntários da  CVB/RN │Foto: Assessoria de imprensa da Cruz Vermelha Brasileira/RN
 
A CVB é uma instituição de abrangência mundial, responsável pela maior concentração das ações humanitárias do planeta. O jovem Kelyson realiza aí um trabalho sério voltado  para pessoas que recebem assistências diversificadas. Assim como ele, que possui mais de uma década como voluntário na instituição, e que recentemente foi eleito seu presidente estadual no RN, milhares de outros sujeitos se unem envoltos a esse interesse em desenvolver ações humanizadoras.
 
Kelyson detalhou de forma emocionada como ocorreu o seu envolvimento com a CVB/RN. O seu avô foi presidente de Cruz Vermelha há uns vinte anos atrás e depois sua mãe ficou sendo a presidente de Cruz Vermelha.  Até os  seus  20 anos, ele não estava envolvido com a instituição. Ele cursava Direito e teve um desastre na região serrana e a CVB/RN foi acionada para colaborar porque foi um desastre de impacto nacional e todas as filiais estaduais estavam empenhadas em fazer campanhas de arrecadação de alimentos de roupas, de água, de ajuda financeira para a Cruz Vermelha conseguir chegar a fazer um trabalho humanitário nesse desastre natural que aconteceu na região serrana.
 
Então, foi envolvido e depois que acabou esse período do desastre que aconteceu, ele percebeu que a Cruz vermelha precisava ter a sua legalidade jurídica, registro de documentos. “Então a Cruz vermelha não tinha documentação, a Cruz vermelha não tinha sede, a Cruz Vermelha não tinha uma estrutura de formação, não tinha um padrão administrativo”. O jovem voluntário se empenhou a organizar o Departamento de Voluntariado, depois o Departamento de Socorro e Desastre, depois fez parte de relações institucionais da Cruz Vermelha Brasileira. 
 
Sua primeira função gestora foi de voluntário secretário, fui nomeado na gestão de outros presidentes que tinham na instituição, que passaram pela instituição depois da sua mãe. Depois que ela saiu teve mais dois presidentes. E chegou um dia que estava como secretario e fui convidado a ser o vice-presidente da Cruz Vermelha e depois o presidente teve que sair da Cruz Vermelha porque foi transferido para outro país aí ele assumiu a presidência estadual da Cruz Vermelha.
 
Kelyson está à frente da Cruz Vermelha da filial do Rio Grande do Norte desde novembro de 2016. Dentre as vitórias de suas ações destaca a questão do estatuto assinado pelo presidente da república, as parcerias, a sede própria uma na Ribeira e  outra  em Ponta negra. Esses espaços funcionam para capacitar, treinar mais voluntários, ter mais projetos sociais, funcionar ações de caráter humanitário e os cursos de capacitação.
 
Os voluntários da Cruz vermelha são movidos por valores como a justiça, a igualdade e a liberdade. São características emocionais dessas pessoas: o altruísmo, o gosto por ajudar ao próximo, o comportamento humanitário, a indignação com a injustiça e a desigualdade social e o olhar com compaixão. Para o presidente da CVB/RN, “ser voluntário é ato de cidadania. Significa está atento aos contextos e às ações humanitárias sempre com o espírito de preocupação com o próximo. O voluntariado  é uma ação gratificante para quem realiza e para quem recebe o benefício para a sua melhoria de vida. Significa sentir o processo de  inclusão social acontecer”.
 
Existem diferentes formas de ação por meio do voluntariado. Na CVB/RN os conteúdos compartilhados nas ações são diversificados, e o presidente menciona: “ajuda material, confiança, diálogo, apoio emocional, ânimo ou até mesmo de abraços fraternos. Todos podem ajudar. Até mesmo com palavras e ânimo”. A principal mensagem que um voluntário de entidade humanitária precisa expressar é a sua crença nas pessoas.  “Saber que têm pessoas que se preocupam com os outros significa acreditar nelas. É importante mostrar para os excluídos que eles podem e devem sonhar pois é comum que eles tenham perdido sua dignidade e seus sonhos. Faz a diferença chegar com a nossa energia boa e com o nosso amor. Isso contagia”. 
 
 
Kelyson Montenegro em força tarefa de distribuição de água em comunidade atingida por incêndio acidental em Natal
Foto: Assessoria de imprensa da Cruz Vermelha Brasileira/RN
 
O tempo de dedicação na Cruz Vermelha é relativo. Em casos de urgências, a gente se dedica um pouco mais. Mas todos os voluntários da sede CVB/RN que estão à frente de projetos, todos são voluntários, e eles cumprem uma carga horária de 20 horas semanais. Então, dentro da instituição criamos essa norma para os voluntários que tem interesse em assumir algum projeto e ser coordenador. E para ser voluntário tem que doar um pouco do seu tempo. Tem voluntários que ajudam com recursos financeiros, mas o mais importante é o tempo, que é precioso.
 
São os voluntários os responsáveis pelo funcionamento de tudo na CVR/RN, eles se dedicam 20 horas. Um dos maiores desejos desses voluntários é que a Cruz Vermelha um dia, consiga recursos financeiros com o apoio da própria sociedade consiga ter um corpo próprio  de funcionários formais e remunerados que possam está trabalhando às 44 horas semanais. “Aliás, a nível nacional, isso já acontece. Ter um trabalho que possa ser feito com funcionários no Rio Grande do Norte, no qual, o povo potiguar possa ser o maior beneficiado, mas para isso a gente precisa de apoio financeiro para que possa ser realizado e concretizado”.
 
Segundo Kelyson, é simples o caminho para ser voluntário da CVB/RN. “Basta procurar a sede da Cruz Vermelha de segunda à sexta, das 9 às 17h. Apresentar a cópia de identidade, comprovante de residência, 1 kg de alimento, antecedentes criminais, uma foto 3x4. No local, você sabe a missão, o objetivo da instituição, quais são os princípios humanitários, a história da Cruz Vermelha, qual o trabalho da filial local que está desenvolvendo. Indicamos a capacitações de primeiros socorros que é referência mundial”. 
 
“Esse ato salva vidas. Saber o que fazer na parada cardíaca, saber o que fazer se a pessoa tem um engasgo, saber o que fazer se alguma criança se queimar. Então, isso é um dos trabalhos que a Cruz Vermelha faz, e sempre está recrutando voluntários que tenham esse interesse. Outros voluntários estão trabalhando com a prevenção da Zica”.
 
Toda sociedade precisa de voluntários. Além da Cruz Vermelha, existem outras instituições sérias que aceitam o trabalho voluntário. Quem se identificar com o desafio de amar pode procurar uma entidade, vestir a sua causa e fazer a diferença! A sociedade brasileira clama Poe esse tipo de trabalho humano. O Brasil é um gigantesco e infinito laboratório para quem deseja ser voluntário de causas humanitárias.
 
Relato de experiência  Andrezza M. B. do N. Tavares
 
A disciplina “Laboratório de Linguagem jornalística” nos possibilitou mais uma experiência significativa para a nossa formação inicial em Jornalismo. O novo desafio proposto foi a produção do Perfil de uma pessoa anônima socialmente. O desenvolvimento da atividade, compreendeu um exercícios desafiante, agradável e de importância social. 
 
Destacamos a importância das orientações didáticas, destinada pelas mediadoras da disciplina, sentimos segurança ao produzir o gênero Perfil. Realçamos novamente a importância das oficinas para a nossa  formação conceitual e metodológica no jornalismo (de entrevista, a formação das equipes de trabalho, a leitura de textos para a avaliação e a fundamentação teórica sobre jornalismo, escuta atenciosa e orientação sobre os temas, pautas e edições das reportagens escolhidas, momentos de socialização sobre as apurações, entrevistas e investigações deflagradas...). 
 
A travessia dessas múltiplas experiências nos fez autônomos e motivados também para a produção do perfil. O tema Voluntário em entidade humanitária permitiu muitas aprendizagens ao grupo. Acreditamos que o Perfil que produzimos irá colaborar com a divulgação dos princípios e ações da CVB/RN, por meio do contagiante pensamento e atitude do jovem voluntário Kelyson  Montenegro de Lima.
 
Relato pessoal de Lillyan Miany de Farias Bandeira
 
Conhecer voluntários que atuam com causas humanitárias e ambientais me deixa muito feliz, por eu ser voluntária de uma Organização não Governamental em Natal. Sabemos que é gratificante ajudar pessoas que precisam e estão próximas da nossa realidade. As experiências que nosso personagem nos passou são importantes e precisam ser mais reconhecidas pela sociedade. O grupo analisou alguns personagens para a realização do trabalho e decidimos conversar com Kelyson Montenegro. 
 
Inicialmente, iríamos fazer o perfil através de vídeo, mas no dia marcado para a entrevista tivemos contratempos com relação ao equipamento, por isso, decidimos fazer o texto. Realizamos um roteiro de entrevista com perguntas-base sobre o personagem e a Cruz Vermelha e nossa pergunta chave foi “O que significa ser voluntário?”. O meu receio foi escrever o perfil, porque tínhamos muitas informações sobre o personagem e a instituição. Diante disso, realizamos um roteiro de escrita para facilitar e enxergamos pontos que eram importantes ter no texto. Assim, dividimos as tarefas e conseguimos nos ajudar e fazer o trabalho proposto.