Andrea Nogueira

08/09/2018
Mulheres, Projetos, Carreira e Bem Comum
 
Um importante projeto social nasceu no Rio Grande do Norte através da Associação Brasileira de Mulheres de Carreira Jurídica (ABMCJ): o projeto “Mulher, Flor do Campo”. Dentre as inúmeras justificativas e ponderações para sua criação, o cuidado com as mulheres rurais foi o foco de advogadas, juízas, bacharelas, assessoras, delegadas e outras carreiras jurídicas potiguares no ano 2017, buscando conscientiza-las dos seus direitos e importância.
 
Como o mundo campestre não possui as mesmas políticas públicas do mundo urbano, homens e mulheres rurais seguem desnivelados quando se trata do usufruto de direitos e garantias ou conhecimento de direitos. Boa parte da população rural desconhece direitos básicos, contribuindo para o aumento da violência e de formas de submissão.
 
Aos poucos, e com a colaboração dos sindicatos rurais e outras parcerias, informações sobre o direito à vida, à integridade física, ao trabalho, à liberdade, dentre tantos outros, estão sendo levados à comunidade rural através de palestras, distribuição de materiais, rodas de conversas e momentos de fraternidade. 
 
Em novembro de 2017, o projeto foi apresentado à África do Sul. Já em 2018, foi do Rio Grande do Norte ao Mato Grosso do Sul. Em breve, o referido projeto estará formalmente nacionalizado, levando às mulheres rurais do Brasil o conhecimento sobre a Lei Maria da Penha e sobre tantos outros direitos fundamentais.
 
O “Mulher, Flor do Campo” visa à educação, que consequentemente leva à liberdade e ao encorajamento. Como bem ensinou Paulo Freire: “educar é também aproximar o ser humano do que a humanidade produziu”.
 
A missão de multiplicar o conhecimento é de todos, sendo este o link da ideia de encorajar mulheres campestres através do saber, ao mesmo tempo em que libertará famílias de uma cultura de submissão e violência explícita ou velada. A verdade é que o processo educacional ultrapassa os muros dos estabelecimentos de ensino, encontra-se embutido nos costumes e nos comportamentos, espalhando-se pela sociedade.
 
A ABMCJ segue sua missão compondo Conselhos de Diretos das Mulheres, Conselho de Segurança Alimentar, o Comitê de Apoio à Presa e Egressa e Comitê de Enfrentamento à Violência Doméstica e Familiar. Ano após ano, realiza trabalhos importantes no âmbito dos Direitos do Consumidor, com palestras, mini cursos e orientação jurídica, estimulando parcerias público-privadas e parcerias junto aos poderes da federação. 
 
No mês de outubro, dedica-se aos direitos dos pacientes oncológicos, com um eficiente projeto que também prima pela distribuição de conhecimento sobre o direito à saúde e ao acesso à justiça.
 
Em meio a tantas atividades, a Associação jamais deixa de trabalhar pela base de sua existência: a mulher de carreira jurídica. Para as associadas (delegadas de polícia, advogadas, juízas, bacharelas, defensoras públicas, assessoras, estudantes de direito, promotoras de justiça e procuradoras) não basta uma profissão, por isso se reúnem, planejam, agem e desenvolvem atividades que lhes forjam uma escada de ascensão à carreira. 
 
É constante o estimulo à ocupação de cargos institucionais com poder de decisão, como os assentos nos Tribunais, diretorias da Defensoria Geral, Procuradoria Geral do Estado e OAB. A associação também estimula a candidatura feminina para a ocupação de cargos eletivos e trabalha para as promoções de classe.
 
Como diria Johann Goethr: “Diz-me com quem andas e dir-te-ei quem és. Saiba eu com que te ocupas e saberei também no que te poderás tornar”. Uma mulher inteligente não anda sozinha. Está sempre acompanhada de outras mulheres que lhe inspiram ou simplesmente se parecem com ela. 
 
Para fazer parte da ABMCJ, segue contato: abmcjrn.presidente@gmail.com.