Daniel Costa

01/08/2018
Fátima governará?
 
Deu na última pesquisa Fiern/Certus que Fátima Bezerra está duas cabeças à frente do segundo colocado na corrida para ocupar a cadeira do go-verno do Estado. Se ao final de outubro isso vier se confirmar, terá início o de-senrolar de uma dúvida que tem surgido desde agora: a candidata do Partido dos Trabalhadores terá governabilidade suficiente para fazer alguma coisa em benefício do Rio Grande do Norte?
 
Os mais otimistas acham que sim. Apesar de entenderem que o re-sultado das eleições presidenciais trará como capitão da caravela central alguém proveniente das hostes da direita afeito aos ideais neoliberais, eles consideram que o panorama atual apresenta a possibilidade de se ter uma força desenvolvi-mentista se desenhando no nordeste do país, a partir de possíveis vitórias no Maranhão (Flávio Dino), no Ceará (Camilo Santana), na Bahia (Rui Costa), em Pernambuco (Marília Arraes), no Rio Grande do Norte (Fátima Bezerra) e no Piauí (Wellington Dias).
 
Caso isso venha realmente acontecer, existirá uma chance de se ver arquitetada uma espécie de frente nordestina; coalizão entre governadores com força suficiente para barganhar verbas junto ao poder federal, tornando possível que um eventual governo de Fátima Bezerra se desenrole com alguma chance de tirar a terra de Poti do caos reinante, quiçá apresentando melhoras em questões basilares, como as da saúde e da segurança. 
 
Essa é a visão dos otimistas. Os céticos, porém - talvez melhor cha-má-los de realistas - veem as coisas de outra maneira. Eles acham que como o Brasil continuará sendo conduzido pelos partidos de direita, não haverá brecha para que Fátima Bezerra desenvolva um governo produtivo. É que historicamen-te, ressalvados os governos Luiz Inácio e Dilma Roussef, o movimento de verbas para o nordeste, carimbadas pela União, sempre foi pequeno; de forma que não dá para imaginar uma mudança nesse panorama logo agora, no momento em que, concretizados os resultados das últimas pesquisas, a maior parte dos esta-dos nordestinos restará governada por progressistas, com o nome de Lula ligado as suas administrações.  
 
Essa turma dos realistas, aliás, vai ainda mais longe. Ela acredita que para efetivar coisas básicas, como, por exemplo, a de colocar o salário do funcionalismo público em dia, será preciso que a provável governadora feche as comportas das verbas destinadas tanto ao poder legislativo, quanto ao poder judiciário; fato que desaguará na perda de apoio dos parlamentares e dos juízes, podendo até mesmo provocar uma articulação para retirá-la da chefia do gover-no do Estado. 
 
Mas tudo isso são apenas impressões do momento. O movimento político não é pura matemática. A corrida está no início e os cavalos podem avançar na pista. Em outras palavras, na conjuntura atual, a tarefa de fazer pro-jeções é algo parecido como brincar de roleta russa com três balas no tambor; de maneira que continua em aberto a pergunta lá do início: Fátima governará?