Nicole Tinôco

10/05/2018
 “Você é meu super-herói”, ouvi isso ontem do meu filho, do alto da sua sabedoria de onze anos de estrada. Como posso eu ser capaz de atingir essa expectativa? Tamanha é a responsabilidade depositada nas costas das mães, que desconfio ser desarrazoada continuarmos a associar a figura materna com ternura, para ser mãe tem que ter muita força!
 
É um ser que deve ter em si todas as respostas do mundo, que precisa estar sempre atento aos menores sinais de necessidade de seus rebentos, se possível sempre com sorriso no rosto pois mãe não chora, enfrenta. 
 
Desde o dia que alguém se torna mãe deixa de pensar no singular. A vida passa a ser toda programada no sentido de fazer o melhor para os filhos e incrivelmente se responsabilizar por tudo que a eles ocorra. São pesos que carregamos desde muito cedo, imbuídas da certeza de que somos capazes de tudo para dar-lhes uma vida melhor. 
 
Se gripou, não agasalhei direito, se tirou nota ruim, não dei suporte suficiente, não fez escolhas certas na vida, poderia ter orientado melhor. É quando aquela nota 5 de matemática pesa como símbolo de insucesso, de que não fizemos o suficiente, de que falhamos em nosso ofício maior. O desespero muitas vezes bate a porta e afinal quem vem a cuidar das incertezas das mães? 
 
Não existe uma fórmula que nos ensine como ensinar, é aprendizado diário e mútuo, como muitas dores, sem esquecer dos amores. Quando meu filho nasceu achei que não fosse conseguir, cada dorzinha de dente, cólica ou choro indefinido partia-me o peito, mas hoje ver ser sorriso de criança quase adolescente me acalenta e me faz acreditar que trilhamos juntos um bom caminho. 
 
De presente este ano peço a vocês um pouco mais de compaixão. Quando vires uma mãe em uma festa não pergunte com quem ficou seu filho, ao encontrar uma mãe cansada dê-lhe colo, as mães precisam de cuidado e de um bocado de compreensão. Vida longa as mães e que sobre nós sejam impostas menos expectativas. Feliz dia.